Quando em Levítico 19:28 Ensina :
"Não façam cortes no corpo por causa dos mortos nem tatuagens em vocês mesmos. Eu sou o Senhor.
Desde tempos atrás vemos a respeito da tatuagem. Veja essa reportagem de cunho policial.
PM
baiano desvenda significados de tatuagens no mundo do crime
Estudo levantou 50 mil documentos e
fotos em presídios e delegacias, institutos médicos legais, jornais, revistas e
redes sociais, além de raras entrevistas com detentos
Palhaços, índias, magos, caveiras,
bruxos, serpentes, polvos, aranhas, peixes, anjos, santos e demônios são
figuras comuns nos presídios brasileiros.
Há pelo menos 10 anos, o capitão da
Polícia Militar baiana Alden dos Santos se dedica a traduzir os significados
destas e outras imagens desenhadas nos corpos de presos e suspeitos de crimes
no Brasil e no exterior. Seu estudo sobre os significados das tatuagens gerou
uma cartilha, adotada oficialmente como apoio a investigações pela PM da Bahia.
"Foram detalhados os
significados de 36 imagens associadas a crimes específicos", diz o
capitão. "Muitas delas, além de se repetirem em todo o país, aparecem nos
mesmos padrões em países como Estados Unidos, Rússia e locais na Europa."
Além de símbolos mais conhecidos,
como palhaços (associados a roubo e morte de policiais), magos ou duendes
(comuns entre traficantes), a pesquisa identificou recorrência inusitada de
personagens infantis, como o "Diabo da Tasmânia", o
"Papa-léguas" e o "Saci-Pererê".
O primeiro sugeriria envolvimento com
furto ou roubo, principalmente arrastões. Já o Papa-léguas - ou sua variação
mais comum, o "Ligeirinho"- indicaria criminosos que usam
motocicletas para o transporte de drogas.
O Saci também teria relação com o
tráfico: seus portadores seriam responsáveis pelo preparo e distribuição dos
entorpecentes.
Foi pelas redes sociais que a
pesquisa de Alden encontrou popularidade: mais de 5 mil pessoas acompanham suas
postagens no Facebook sobre supostas conexões entre crimes e tatuagens, além de
casos policiais não registrados pela grande mídia.
Pelo
YouTube, os vídeos publicados pelo PM já foram vistos mais de 600 mil vezes.
O resultado
final do estudo já foi baixado pela internet
por mais de um milhão de pessoas.
Estigmatização?
Aproximadamente 50 mil documentos e
fotos foram coletados pelo PM: eles vêm de presídios e delegacias, institutos
médicos legais, jornais, revistas e redes sociais - tudo isso somado a raras
entrevistas com detentos de prisões baianas.
"As principais informações
infelizmente não vieram dos presos em si. Há um forte código de silêncio. As
conclusões vieram mais pelo cruzamento de dados", diz. Ele explica:
"Levantamos, por exemplo, todos os presos que tinham tatuagem do Coringa e
cruzamos com suas sentenças. Havia um padrão claro em seus delitos."
O padrão, segundo o militar, indica
"roubo e envolvimento com morte de policiais".
"Portadores desta tatuagem
demonstram frieza e desprezo pela própria vida", explica o PM. "A
maioria parece absorver as características deste personagem - insano,
sarcástico, vida louca. Normalmente não se entregam fácil e partem para a
violência."
Questionado sobre a estigmatização
que a pesquisa poderia provocar sobre quem tem imagens pelo corpo, o policial
militar diz deixar claro que cidadãos "nunca poderão ser abordados somente
por apresentarem tatuagens descritas na cartilha".
"Nosso objetivo não é
discriminar pessoas tatuadas, isso seria discriminar o próprio ser humano, que
há muito tempo usa tatuagens como forma de expressão", diz o capitão
Alden.
Ele diz que, para policiais, a
importância do estudo é ajudar o agente a salvaguardar sua integridade física,
no caso de tatuagens ligadas a mortes de oficiais.
"Elas também funcionam como mais
uma ferramenta para facilitar o trabalho de reconhecimento de suspeitos",
diz, citando as imagens de carpas - estes peixes são frequentemente associados
à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Códigos
Além das imagens figurativas,
elementos gráficos, como pontos tatuados nas mãos, também seriam indícios de
crimes, segundo o pesquisador.
Um só ponto preto indicaria
"batedores de carteira". Dois, na vertical, sugerem estupro. Três
pontos, em formato de pirâmide, apontam relação com entorpecentes.
O oficial não teme que a divulgação
dos símbolos iniba a exibição ou confecção de novas tatuagens suspeitas.
"A existência desse material não
fará com que as facções alterem seus códigos", diz Alden ao #SalaSocial.
"Por incrível que pareça, em vez de os suspeitos deixarem de usar a imagem
que os associa à prática de determinado crime, o que percebemos é a lógica
inversa: quanto mais se tem consciência de que a polícia conhece, mas
frequentes são as imagens, como uma espécie de desafio."
Segundo o PM, a tendência não se
limita ao Brasil.
"O palhaço, com o mesmo
significado, é muito comum também na máfia russa, no México, nos Estados
Unidos, em Porto Rico. O mesmo ocorre com a índia (mulher de cabelos negros e
longos, que já serviu para indicar quem tinha autorização do tráfico para
portar fuzis, hoje mais associada à prática de roubos).
"Gera muita repercussão e isso
me dá cada vez mais disposição de alimentar a página. A tatuagem ainda chama
atenção, mesmo sendo algo que já faz parte da própria natureza humana",
afirma.










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